sexta-feira, setembro 07, 2018

Aquela sensação de:

Ter uma empresa às costas.
Contar as horas de cada dia.
Contar os dias, da segunda à quinta,
e depois pensar "Vá lá, é só mais um".


Não pode ser só isto.

sábado, junho 30, 2018

Ora toma lá que isto vai ser bonito:

Na empresa:
- Olhe Rita, só para lhe dizer que em Julho vamos de férias três semanas, por isso, a Rita fica a responsável pelos serviços.

- Ah, está bem. É que eu nem estou cá há três meses, só.

(não, na verdade não respondi nada disto, disse só:
"Ok, eu vou pondo-a ocorrente por e-mails.")

quarta-feira, abril 18, 2018

Ser adulto:

Hoje de manhã, bem cedo, antes de enfiar a cabeça nos ficheiros, nas tabelas, nas fórmulas que manuseio de segunda a sexta, dei por mim a dizer que ser adulto implicava acordar cedo para ir trabalhar. Não é novidade nenhuma, não descobri a pólvora, mas rapidamente perdi-me nos meus pensamentos. Dei por mim a pensar no tempo que passo a planear as minhas refeições fora de casa, nas artimanhas que uso para fintar as poucas horas que tenho entre o trabalho e o sono, e nas horas que ainda consigo dedicar (a mim). Ser adulto não é ter de ir trabalhar cedo, ou voltar tarde do trabalho, ou ganhar dinheiro para pagar as contas. Ser adulto é ter a genica e a manha de nos sujeitarmos à sociedade, contrariando-a, e vivendo como se não fossemos todos obreiras do mesmo enxame.

quarta-feira, julho 05, 2017

Da impotência:

De não poder fazer nada, ou de fazer muito pouco.
De ter de esperar, pelo óbvio, pelo pior.
De só o meu amor não te poder salvar.
Tenho o coração tão apertado, meu F.

terça-feira, abril 25, 2017

Da multiplicação (da estupidez):

«É triste a história da tartaruga tailandesa que morreu envenenada pelas moedas que engoliu. Os cirurgiões bem tentaram salvá-la, retirando as moedas uma a uma — mais de cinco quilos — mas ela não sobreviveu.
É fácil julgar à distância, com os factos à frente dos olhos. Não serve de nada. É mais útil pormo-nos no lugar de um desses turistas que atirou uma moeda e tentarmos perceber o que é que correu mal.
Foi a quantidade de moedas que matou a tartaruga. Cada pessoa atira uma moeda mas não pensa nas milhares de pessoas que fizeram ou farão a mesma coisa. Uma moeda não faz mal mas milhares de moedas matam. Falta muitas vezes aos seres humanos a consciência de fazer parte de uma multidão imensa. O cigarro, a garrafa de plástico ou o cocó do cão que uma só pessoa deixa na praia para ser levada pelo mar têm de ser sempre multiplicados por dez mil.
Foi a quantidade de moedas ingerida ao longo dos anos. Também o tempo tem de ser multiplicado. A regularidade dos poluentes contribui tragicamente para o envenenamento.
A estupidez humana também nos pertence e não podemos sacudi-la: só admiti-la. Se calhar, pensávamos que o sistema digestivo duma tartaruga marinha era capaz de livrar-se das moedas. Se calhar, pensávamos que a tartaruga tinha alguma fantasiosa sabedoria que a impedia de ingerir coisas que a pudessem matar. Nem ela nem nós.»

A nossa estupidez, MEC

domingo, março 26, 2017

Das saudades, que são muitas:

O meu dentista é meu primo. Sinceramente, julgo que ele não o sabe, e julga que a pura semelhança entre nomes é pura coincidência ou bom gosto.
Nos quase dois anos de consultas mensais, vejo-o quase sempre já de máscara, de luvas, pronto a trabalhar e a construir um sorriso.
Na passada sexta-feira, o meu dentista chegou atrasado. Rompeu pelo consultório e balbuciou-me qualquer justificação sobre o trânsito para o centro do Porto. Eu não ouvi nada na verdade. Perdi-me no seu olhar. Avaliei as suas feições, notei a sua cor de pele mais escura, e revi o meu pai.
Em poucos segundos, a saudade inundou-me o coração e lembrou-me de tudo aquilo o que não pudemos viver.
Tenho mais saudades do meu pai do que as que imaginava ter.

Isto de fotografar em analógicas:


segunda-feira, março 06, 2017

Sobre crescer:

Ok. Eu andei afastada. Muito aliás. As pessoas que me liam já não passam aqui. Normal. Devem ser vítimas do sacana do relógio que teima em correr nas poucas horas livres que um dia nos reserva.
Isto tudo é falta de tempo. Eu sei que soa a desculpa, mas não é.
Ainda assim, vou tentar contrariar esta tendência da vida de me roubar tempo aos dias, e emendar-me.
(Re)começo hoje. Lembraram-se, na empresa, de me dizer que amanhã e quarta-feira vou passar o dia em trainning.
Obrigada pela formação que me vão oferecer na Católica. Façam-me só o jeitinho de me avisar sem ser de véspera. Era simpático.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

segunda-feira, setembro 19, 2016

quarta-feira, agosto 24, 2016

It's killing me:

Arranjei um trabalho novo. Gosto do que faço. Estou lá há três semanas, são quinze dias. Arranjei um trabalho novo e arranjei três colegas novas. Três colegas novas que não gostam de me ajudar. Que me reviram os olhos sempre que ouvem a minha voz. Que comprimem as bochechas e franzem o sobreolho sempre que precisam de ir esclarecer-me uma dúvida. Que me atiram o telefone em vez de mo dar em mãos. Que me ignoram. Que tornam o ambiente de trabalho difícil. Que se esquecem que ainda estou a aprender. Que não gostam do que fazem. Que estão a fazer com que eu não goste do que faço, há tão pouco tempo.
É fodido não termos temos o mesmo espírito de entre ajuda e cooperação. É fodido, e está a matar-me aos pedacinhos, todos os dias, há três semanas, há quinte dias, a cada cinco dias por semana.

quarta-feira, junho 01, 2016

Do que se passou:

Quando recusamos uma proposta de trabalho, daqueles de meter inveja.
(Mas o dinheiro não é tudo, e a nossa cidade,
os nossos, e o tempo, valem mais do que quatro dígitos).

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Do amor:

O tempo e a forma como ele passa dão-nos perspetivas e sabores diferentes da vida, e do amor.
Os sabores deliciosos das coisas mais corriqueiras do dia-a-dia adoçam-me a boca como outra coisa qualquer não faz.
Do adormecer, ao acordar, ao pequeno-almoço, às refeições, ao sol que nos bate e aquece o corpo, ao convite de uma mão que se entrelaça na outra, ao sorriso provocado pela alegria daquela companhia, às mensagens de bom dia e de boa noite. As coisas mais corriqueiras, banais, e usuais da nossa vida são as que aquecem mais a minha vida. Fazê-las ao lado do N. e saborear esta simplicidade tão fresca faz-me perceber que é amor pleno, desprovido de tudo o que é luxo ou regalia. É na simplicidade das coisas do dia-a-dia que encontro e reencontro o amor que já não conhecia.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Das pessoas:

Quando não fazem por nós o que fazemos pelos outros, e nem disso se apercebem.
A bondade e a maturidade são coisas raras e fodidas (perdoem-me).